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A Radiologia

A radiologia é uma nova linguagem, um pouco diferente da usual da medicina, aprendida nos 6 anos da graduação, e passou muito tempo sendo vista como um patinho feio das especializações, período em que eram utilizados apenas os raios-x, descobertos no final do século XIX.

A radiologia veio a ter suas tecnologias incorporadas a partir dos anos 80, quando as técnicas de ultrassonografia, tomografia computadorizada e ressonância magnética começaram a ser utilizadas, a partir daí a radiologia se transformou numa vasta especialidade, que praticamente congrega o diagnóstico diferencial de todas as grandes áreas da medicina, como pediatria, ginecologia, cirurgia, clínica médica, neuro, otorrino, oftalmo etc. Assim, de certo modo, a radiologia permeia quase todas as doenças. O radiologista é um profissional que atua mais nos bastidores, não lidando na maioria das vezes com o paciente e com a família deste, além de oferecer suporte diagnóstico para seus colegas, provendo detalhes das repercussões nas imagens das respectivas doenças, para que assim os cirurgiões possam guiar seus tratamentos e condutas com base nas alterações dos exames de imagem.

O radiologista, no seu dia-a-dia executa exames, interpreta imagens, emite laudos e interage com os biomédicos e técnicos de radiologia, para que possa ser discutido a melhor técnica de exame, a injeção ou não do meio de contraste para melhorar ou não a acurácia diagnóstica, além de interagir com seus colegas médicos, tirando dúvidas, indicando exames e correlacionando dados clínicos de pacientes com as alterações de imagem, para que assim possa se chegar a um diagnóstico cada vez mais preciso.

Hoje, praticamente todo paciente que sai de um consultório, seja este de clínica médica ou de ginecologia, sai com um pedido de um exame complementar de imagem, seja um simples raio-x de tórax, um exame de mamografia no rastreio do câncer de mama, ou propriamente um exame mais complexo, como uma ressonância magnética, para avaliar, por exemplo, uma lesão no joelho ou um eventual tumor cerebral. Dessa forma, o radiologista acaba tendo um papel fundamental de abarcar todos esses pedidos médicos de exame que venham sendo solicitados com a crescente incorporação da tecnologia na medicina.

Uma falácia existente é que o radiologista é aquele profissional que trabalha pouco e fica apenas sentado numa salinha escura, isso caiu por terra, pois hoje o radiologista tem um volume muito alto de exames para dar laudo, e tudo isso numa velocidade cada vez mais rápida. Geralmente o radiologista complementa o trabalho de vários outras profissionais, como um clínico, um ortopedista e um cirurgião que estejam atendendo os pacientes da emergência, assim, o radiologista tem que, sozinho, realizar e dar seu parecer acerca de todos esses exames.

A escolha da especialidade

A escolha da especialidade é sem sombra de dúvidas a mais importante decisão que tomamos em nossa carreira como médicos, pois é ela que irá influenciar nossa rotina, com plantões, sobreavisos e rotina ambulatorial, além do perfil de paciente e patologias que iremos tratar em nosso dia e dia, a quantidade e tipo de remuneração que teremos, seja ela mais linear ou variável, bem como o porte de cidade que o profissional poderá atuar, se pequeno, médio ou grande. Assim, o futuro profissional não deverá escolher sua especialidade somente baseado no que gosta de estudar ou porque gostou de algum ambulatório/enfermaria em específico.

Residência em radiologia

A residência em radiologia é, até então, de acesso direto, ou seja, não é necessário cursar clínica nem cirurgia para entrar em radiologia, porém, com a lei dos mais médicos isso tende a mudar, pois talvez seja necessário cursar cerca de 1 ano de medicina da família antes de entrar em radiologia, por enquanto, ainda não se sabe como será no futuro.

Formalmente, a residência consta apenas de 3 anos. O primeiro ano de radiologia é dedicado à exames menos complexos, como as radiografias e ultrassons, onde o radiologista executa e dá o laudos desses exames, sempre com a supervisão de um profissional mais experiente, para assim serem avaliados possíveis erros do futuro profissional.

No segundo ano, os exames se tornam um pouco mais complexos, o profissional adquire mais responsabilidades, e passa pelo setor de tomografia e das injeções dos meios de contraste, além de interpretar mais exames. Por vezes, as residências médicas têm plantões noturnos, para que assim sejam vistos exames com outros residentes, e que estes sejam discutidos.

No terceiro ano, a grande maioria dos serviços é dedicada basicamente à ressonância magnética, e alguns centros menores não possuem ressonância magnética, dessa forma, alguns dos residentes que fazem residência nesses serviços menores, acabam optando por fazer um quarto ano opcional para complementar seu conhecimento.

Subespecialidades

Em radiologia, as subespecialidades podem ser as seguintes: radiologia do sistema esquelético, neuroradiologia clínica (apenas de interpretação de exames), neuroradiologia intervencionista (que também realiza procedimentos cirúrgicos), radiologia intervencionista vascular periférica (para a colocação de dispositivos como tips para fazer stents de artérias periféricas por exemplo).

Local da residência

Na escolha da instituição a ser realizada a residência médica, é importante que se cheque o grau de comprometimento que os preceptores têm com a residência, ou seja, se eles estão presentes para discutir os exames, e também que tipos de equipamentos e exames são realizados nesses serviços, assim, o ideal é que o futuro residente veja o mais amplo leque de exames possíveis, como de ginecologia, neuro, ortopedia, ou seja, tenha uma visão geral para que assim possa adquirir um bom conhecimento no programa de residência.

Mercado de radiologia

O mercado para o radiologista sofreu um boom nos últimos 20 anos por conta da incorporação das tecnologias e ampliação do parque de aparelhos, além do aumento acentuado de exames solicitados pelas mais variadas áreas. Contudo, nos últimos anos, com a alta dólar, as dificuldades econômicas e as tentativas de limitações dos exames de imagem pelos planos de saúde (que em sua maioria tem um alto custo), o mercado ficou menos aquecido, mas mesmo assim ainda absorve muitos profissionais, principalmente na área de ultrassonografia.

Remuneração

Tomando como base as outras áreas, a remuneração em radiologia é difícil de ser calculada, porém, o que pode ser afirmado, é que o radiologista ganha acima da média das outras especialidades pelo menos no início de sua carreira. Contudo, a remuneração em radiologia é bastante estável durante a carreira, não se consegue agregar tanto valor ao trabalho do profissional, diferentemente de um clínico ou cirurgião que consegue agregar valor a seu nome se for um profissional de excelência. O radiologista geralmente trabalha nos grandes laboratórios, sendo funcionário, assim, dificilmente ele irá já terminar sua residência e já comprar um aparelho de ressonância magnética ou de tomografia, pois o investimento é milionário.

Últimas considerações

A radiologia é uma especialidade bastante interessante para pessoas que apreciam um diagnóstico diferencial, trabalhando com dados clínicos e alterações de imagem, e tudo isso aplicado à uma ampla gama de patologias e doenças. Há de se frisar que a relação médico e paciente é bem menor para os radiologistas, geralmente o profissional tem apenas conversas breves com o paciente e suas famílias.