Na sessão
Nicola Caminha de agosto, o segundo caso apresentado foi o de uma Isquemia
Intestinal, pela Drª Priscila Faria da Cunha (R1), do hospital Casa de
Portugal, que foi defendido pela Drª Karen do Vabo (R2), do Hospital
Universitário Antônio Pedro.
O caso apresentado foi o de uma paciente de 79 anos, em 6o dia de pós-operatório
de perineoplastia sem intercorrência, apresentando quadro de dor abdominal
em regino epigástrica e mesogástrica. Abdome difusamente doloroso
a palpação, sem sinais de irrigação peritoneal.
O 1o exame radiológico solicitado foi uma rotina de abdome agudo, que
evidenciava faixas atelectásicas na base direita, alças delgadas
distendidas, com níveis líquidos, sugestivo de suboclusão
intestinal.
Foi submetida a TC de abdome com contraste oral e venoso, que mostrava espessamento
parietal e hipotonia de alças ileais, cólon distendido com paredes
finas, além de evidências de doença aterosclerótica,
com placas de ateroma em aorta e ilíacas.
O quadro abdominal evolui de forma intermitente, principalmente associado
a retirada e reintrodução da dieta.
Com 18 dias de evolução do quadro inicial, a paciente foi submetida
a nova tomografia de abdome (contraste oral), com os achados de lâmina
de derrame pleural bilateral, maior a direita, com atelectasia compressiva
em correspondência;
pequena quantidade de líquido peri-hepático, peri-esplênico
e nas goteiras parietocólicas; espessamento parietal ileal, com o cólon
aparentemente preservado. Como a paciente apresentou alguma melhora dos sintomas
agudos, foi submetida a um trânsito de delgado, que evidenciava grande
segmento ileal estenosado, com a luz reduzida e perda do pregueado mucoso,
algumas imagens de adição, sugestivas de pequenas ulcerações,
afastamento das alças ileais, correspondendo a espessamento parietal,
como já havia sido
Na sessão
Nicola Caminha de outubro, o R2 Rafael M. Amante, da clínica Radiológica
Emílio Amorim, defendeu um caso apresentado pela R2 Patrícia
P. Rafful, do Hospital Universitário Pedro Ernesto, da UERJ, de um
paciente do sexo fem., 32a, natural e residente de Parati(RJ), camareira,
cuja HDA consistia de dor lombar e hematúria, negava outras patologias.
A Urografia excretora demonstrou, na radiografia panorâmica, imagens
cálcicas grosseiras projetadas sobre a loja renal esquerda; após
a injeção do contraste, evidenciou-se obstrução
à passagem do mesmo ao nível da junção uretero-piélica
esquerda com dilatação pielo-caliciana a montante.
A T.C. confirmava os achados da urografia e demonstrava ainda um espessamento
concêntrico da pelve renal esquerda com infiltração da
gordura peri-renal correspondente.
A U.S. abdominal demonstrou imagens ecogênicas geradoras de sombra acústica
difusas no seio renal esquerdo.
A R.M. do abdome demonstrou, em T1 e T1 ”out of fase”, imagens
hipointensas nos grandes cálices renais e na pelve acometida (litíases),
a pelve renal evidenciava sinal intermediário e espessamento concêntrico.
Em T2 e T2 com saturação adiposa, imagens hipointensas nos cálices
e pelve e esta hiperintensa, eram os principais achados, que não variaram
após o contraste venoso.
O diagnóstico foi de Pielonefrite Xanto-granulomatosa.
| Nicola Caminha Apresenta Novos Casos |
visto
na TC, alças jejunais com pregueado mucoso preservado, de calibre aumentado,
cheias de contraste, sugestivas de dificuldade de esvaziamento.
A angioRM mostrava discreta irregularidade da aorta abdominal, sugerindo doença
aterosclerótica. Tronco celíaco e AMS pérvios.
Como a AngioRM não é um bom método de avaliação
da vascularização distal, foi solicitada uma angiografia aórtica
e mesentérica, que demonstrava estenose importante do tronco celíaco,
acentuada redução do calibre da AMI, sugerindo estenose proximal.
Na angiografia MS chamava a atenção uma hipervascularização
acentuada da parede de um segmento ileal, com trânsito precoce do meio
de contraste e opacificação densa das veias (“shunt”
precoce). Na fase venosa não havia evidência de obstruções.
Esse achado angiográfico é bastante compatível com um
padrão inflamatório. Na doença de Crohn, ocorrem alterações
vasculares com reação granulomatosa e fibrose das paredes intestinais
e do mesentério. Dependendo da atividade da doença, diversos
graus de vascularização parietal são vistos. Hipervascularização
marcada, com “shunt” venoso precoce, são observados quando
há atividade da doença.
Outra possibilidade para este achado angiográfico é isquemia
intestinal segmentar. Na oclusão vascular reversível, observam-se
alterações compatíveis com doença isquêmica
nos exames contrastados e à angiografia não se observa oclusão
vascular, e sim uma hipervascularização marcada da parede intestinal,
com “shunt” precoce para as veias. Apesar deste padrão
de doença vascular ser muito mais comum no cólon, também
pode ocorrer em qualquer segmento do intestino delgado.
A paciente foi submetida a laparotomia exploradora onde foi ressecado grande
segmento ileal isquemiado.